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• Sócio da Sociedade Portuguesa de Sociologia, as suas actividades nesta área referem-se a vários trabalhos e livros publicados, em referência em Obras Publicadas (ver Obras Publicadas) e Palestras (ver Comunicação).




O Que é o Ocorrentismo ?

O Pós-Modernismo dá o passo ao Ocorrentismo, a corrente sócio-cultural que sucede ao Pós-Modernismo. Situa-se desde finais do século XX e início do século XXI, abarcando Artes, Ciência, Política, Economia e todas as actividades da sociedade dita ocidental, então entendida como global.

O Ocorrentismo tem por base a importância da ocorrência como elemento determinante da vida da sociedade e do peso que a ocorrência exerce sobre as populações.

O Ocorrentismo segue na esteira do Modernismo de finais do séc. XIX e do Pós-Modernismo da primeira metade do séc. XX. Tem início com a queda do Muro de Berlin, em 1986 e estende-se até aos nossos dias.

A teoria e base filosófica do Ocorrentismo surge através do estudo da Ética moderna que se baseia na ocorrência, isto é, já não importa o deve ser ou não deve ser, dito de outro modo, o Bem ou o Mal, que constituem as bases da Moral. A aceitação de que os princípios morais são diversos de sociedade para sociedade, de religião para religião, até de pessoa para pessoa, conduziu à descrença e destruição da Moral, fazendo emergir de novo a importância da Ética, esquecida em favor da Moral e mesmo, com frequência, confundida com ela. Durante o Ocorrentismo verifica-se o primado da Ética em desfavor da Moral. À medida que se desenvolve a globalização social, verifica-se uma localização da Moral que passa a mostrar-se cada vez mais específica de cada região, cada povo, cada grupo, cada religião, cada pessoa. Assume-se o respeito pelo código e, portanto, pela Ética. Passa a valer o que ocorre em obediência a esses códigos éticos, mais importante do que o que deve ser e o que não deve ser.

Entendido como sucessor do Pós-Modernismo, o Ocorrentismo aumenta a necessidade da tónica do Progresso, da importância do realizado que, no entanto, perde essa importância porque a cada ocorrência se segue outra ocorrência que atropela a anterior. O fito do Progresso, característica do Pós-Modernismo, é substituído pelo de Evolução, não se sabe para onde. Daí a perversão da noção de Progresso que já não corresponde à ideia aceite durante o Pós-Modernismo. Por outro lado, a noção de sociedade de consumo, tão divulgada, constitui apenas uma parte do Ocorrentismo, utilizando como ferramentas, entre muitas outras, o uso do telemóvel e do cartão de crédito, ao serviço da sociedade de consumo que cria o vício de comprar. Sucedem-se os modelos de carros, de máquinas de lavar, de fazer café. Sobe à ribalta a interdisciplinaridade e apenas com o premir de um botão, sucedem-se os canais de Televisão e seus programas. Os noticiários do Telejornal amalgamam notícias de desastres e guerras com desafios de futebol e o espectador torna-se insensível ao desastre. Não há tempo para avaliar a ocorrência, como no Pós-Modernismo em que a ilusão do Progresso alimentava a esperança. Esta esperança, agora, reside na explosão da Novas Tecnologias que, a cada dia, modificam a nossa maneira de estar, o computador torna-se, neste mudar de ocorrências, no paradigma e o carro estreado ontem já foi ultrapassado pelo novo modelo. O teclado impõe-se na velocidade que permite de premir cada tecla, atropelando a vizinha e o comando do televisor, dos jogos permitem a sequência vertiginosa de imagens, programas, ocorrências. A tudo isto, responde a globalização que permite tomar conhecimento de ocorrências em todo o Globo com o simples carregar de uma tecla, pondo em risco a lentidão dos jornais. Ainda em execução nos nossos dias, outras características derivadas da importância da ocorrência virão associar-se. O decorrer do tempo nos esclarecerá.